Os anabolizantes ou esteróides androgênicos anabólicos são hormônios derivados da testosterona, que é o principal hormônio sexual masculino. Eles são bastante utilizados por atletas profissionais, ou não, com a intenção de acelerar o ganho e desenvolvimento de massa muscular, além de melhorar sua performance esportiva. A prevalência do abuso dessas drogas chega a 6,4% nos homens e a 1,6% nas mulheres.

Muitas dessas substâncias são obtidas pela internet ou por fontes duvidosas, muitas vezes não sendo submetidas a testes confiáveis e sendo administradas de forma errônea (doses elevadas) e com combinações bizarras. Tudo isso, por sua vez, torna mais difícil a prevenção e controle de possíveis efeitos colaterais provenientes do uso e abuso dessas drogas.

Existem indicações médicas precisas para uso dessas substâncias. Elas são prescritas, preferencialmente, para pacientes em quadros de desnutrição importante, problemas endocrinológicos e sexuais resultantes da falta de produção de testosterona pelo próprio organismo.

Apesar do efeito estético satisfatório, o uso de anabolizantes pode trazer diversos efeitos colaterais que podem, muitas vezes, ser irreversíveis. Dentre os principais efeitos colaterais temos:

Homem

  • Bloqueio da Produção de Hormônios Sexuais
  • Infertilidade
  • Diminuição do Volume Testicular
  • Calvície
  • Aumento das Mamas
  • Perda da Libido
  • Disfunção Erétil
  • Sudorese Intensa
  • Surgimento de Estrias

Mulher

  • Bloqueio da Produção de Hormônios Sexuais
  • Ciclos Menstruais sem Óvulos
  • Parada da Menstruação
  • Menstruação Intensa
  • Infertilidade
  • Crescimento de Pêlos e Calvície
  • Perda de Volume Mamário
  • Surgimento de Estrias
  • Aumento do Clitóris
  • Engrossamento da Voz

 

O objetivo desse post é alertar os homens usuários de anabolizantes sobre os riscos de desenvolverem problemas relacionados a função erétil, desejo e desempenho sexual. Porém, para o melhor entendimento do assunto precisamos explicar um pouco sobre como são produzidos os hormônios sexuais, mais precisamente a testosterona.

Segue abaixo o processo de produção dos hormônios sexuais:

Através de estímulos ambientais e nutricionais uma área cerebral chamada Hipotálamo produz o GnRH que é um hormônio capaz de estimular a produção pela Hipófise do LH e FSH que são hormônios que agem nos ovários e testículos que por sua vez produziram células reprodutivas e hormônios sexuais que serão responsáveis pelo desenvolvimento de caracteres sexuais e influenciarão no desejo e na performance sexual.

Como podemos evidenciar pelo fluxograma, esse eixo é cíclico e interligado, o que faz com que qualquer alteração em um componente modifique todo o eixo.

Quando fazemos uma complementação exógena (uso de anabolizantes externos) o organismo, automaticamente, interpreta que há um excesso desse hormônio bloqueando então a produção natural pelo organismo, através da supressão dos hormônios precursores do eixo como o FSH e o LH. Essa parada de produção pode ser transitória (enquanto for o uso de testosterona exógena) ou definitiva (independente do uso de testosterona exógena) de acordo com o metabolismo de cada paciente. Portanto, o paciente mantém-se “dependente” dessa reposição exógena para poder manter os níveis fisiológicos desses hormônios.

A falta de atividade testicular (produção hormonal e de espermatozóides) devido ao bloqueio que foi empregado, faz com que haja uma diminuição do volume testicular. Além disso, a falta de testosterona endógena pode levar a alterações na libido e consequentemente na ereção.

A falta de testosterona não age diretamente no processo de ereção, porém sua falta leva a diminuição da libido o que consequentemente, faz com que haja uma diminuição pela busca de estímulos sexuais. Além disso, a falta de testosterona tende a deixar o homem com maior labilidade do humor e muitas vezes aumenta seus níveis de ansiedade e depressão. Assim, a associação da falta de libido com aumento dos níveis de ansiedade e depressão resultam em uma piora importante da performance sexual e aumento de queixas relacionadas a disfunção erétil.

O tratamento de pacientes com queixas sexuais relacionadas a histórico de uso e abuso de anabolizantes, consiste em saber se ainda há uso de substâncias anabolizantes e se há possibilidade de sua suspensão; investigação do eixo hormonal através da dosagem laboratorial de seus componentes; reposição correta e orientada dos componentes do eixo caso haja possibilidade; uso de medicamentos que auxiliam o processo de ereção como os Inibidores da Fosfodiesterase Tipo 5 (I5PDE), representados pelo Viagra®, Cialis® e Levitra®.

Assim, o uso de anabolizantes para fins estéticos e de melhora do desempenho físico deve ser desestimulado por profissionais da saúde e de qualquer outra área. Caso realmente o uso dessas substâncias for indicado, faça isso apenas sob supervisão de profissional extremamente qualificado e com experiência para individualizar seu tratamento e que saiba lidar com qualquer das complicações que o uso desses medicamentos pode causar.

Caso você esteja com problemas sexuais relacionados ao uso de anabolizantes procure um especialista capaz de orientá-lo e auxiliar na resolução do seu problema.

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