Alterações psicológicas são as principais causas de queixas sexuais, principalmente entre pacientes mais jovens. O ritmo frenético a que estamos sujeitos associado ao stress elevado e outras alterações como ansiedade e depressão podem desencadear alterações no mecanismo de ereção.

Devido a essa íntima relação entre as áreas de atuação, eu convidei minha colega Dra. Margareth dos Reis, psicóloga, psicoterapeuta sexual e de casais, colaboradora da Unidade de Medicina Sexual da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e coordenadora da Pós Graduação Lato Sensu em Sexologia da FMABC, para passar um pouco de sua experiência na área e explicar qual a importância da psicoterapia no tratamento das disfunções sexuais.

Psicoterapia Sexual: o que é, para que serve?

Margareth dos Reis

Quando algo não está indo bem na vida sexual, existem especialistas que podem ajudar a identificar qual é o problema e indicar o melhor caminho para a solução: o médico e o psicoterapeuta são os maiores aliados nessa jornada. Esses profissionais chamam os problemas sexuais de “disfunções”: isso mesmo, alguma coisa não está “funcionando direito” e precisa ser resolvida com ajuda. As disfunções sexuais podem atingir uma pessoa individualmente, mas sempre acabam tendo alguma repercussão na vida do parceiro sexual. Por isso, se existe um relacionamento estável, o ideal é que o casal procure ajuda junto.

A disfunção sexual pode ter tido origem em um dos lados do relacionamento, mas tende a atingir os dois lados. Por isso, quando é possível fazer uma terapia sexual de casais, o benefício pode ser muito positivo para a dupla.

Uma disfunção sexual é uma perturbação na capacidade de responder sexualmente ou de ter prazer a um estímulo sexual. Ou seja, não basta fazer sexo com frequência se as relações não estão “gostosas” ou satisfatórias. E se a frequência está mais baixa do que se esperava, é preciso entender o motivo, certo?

O problema pode ser físico ou psicológico, ou, como geralmente acontece, as duas coisas juntas. Os homens podem sofrer de disfunção erétil (dificuldade em ter e manter a ereção do pênis), ejaculação precoce e vários outros tipos comuns de disfunção sexual (veja listas abaixo) e as mulheres, de falta de orgasmo ou de excitação, falta de lubrificação, dor etc. Quando esses problemas causam sofrimento, é hora de procurar ajuda. Essa pode ser a diferença entre resolver o problema ou continuar levando uma vida sexual insatisfatória por muitos anos.

É comum que os problemas sexuais tenham causas físicas e psicológicas ao mesmo tempo.

 

A primeira coisa que o profissional de saúde vai fazer é procurar entender melhor o problema: se é algo que acontece desde que a pessoa iniciou sua vida sexual ou se começou mais recentemente, por exemplo. Se o problema está acontecendo em todas as relações, com qualquer parceiro ou parceira, ou se aparece só em algumas situações. O profissional também vai poder avaliar se o problema é mais, ou menos, grave, para poder planejar o tratamento.

Na disfunção sexual masculina, já se sabe que, na maioria dos casos, existe uma combinação de causas físicas ou orgânicas (por exemplo: um problema de vascularização do pênis ou de depressão) que atuam em conjunto com causas psicológicas (um parceiro ou parceira que não compreende a dificuldade, por exemplo). Isso quer dizer que o urologista ou ginecologista deverá sempre sugerir que seja feita a avaliação psicológica, para que todas as causas do sofrimento sejam resolvidas.

O psicólogo especialista no tratamento das disfunções sexuais não trata dos problemas orgânicos (ou físicos) das disfunções, mas, ao cuidar da estrutura emocional do indivíduo, tem de considerar que a vida sexual normal é um processo que se baseia no equilíbrio entre os fatores psicológicos e os físicos: endócrinos (desequilíbrios hormonais), vasculares (que têm a ver com a circulação do sangue no corpo e no pênis) e neurológicos (um desequilíbrio de substâncias no cérebro pode levar a depressão, por exemplo). O psicólogo vai poder abordar melhor o problema se o paciente tiver já passado em consulta com o médico, urologista ou ginecologista, para que seja feita a avaliação física.

Às vezes, não há problemas físicos e as relações sexuais não vão bem por causas psicológicas, sejam individuais ou que têm a ver com a relação entre as duas pessoas ou em relação à vida sexual que levam (veja lista abaixo). A psicoterapia de casal ajuda nesses casos porque, ao abordar os dois participantes em conjunto, consegue colocar em evidência aquilo que, nas terapias individuais, o paciente pode tentar bloquear com defesas. O terapeuta, nessas situações, tem condição de identificar práticas e dinâmicas entre o casal que podem ser hostis, destrutivas, agressivas, mesmo que não pareçam, e propor mudanças (às vezes, simples!) que ajudam a construir um relacionamento mais equilibrado. O resultado aparece na cama: uma vida sexual mais satisfatória e feliz.

Terapia de casal ajuda a identificar os problemas da relação que interferem na vida sexual.

 

O psicoterapeuta vai reconhecer também que, em muitos casos, o tratamento com medicamentos pode ajudar, e muito, a ter uma experiência íntima mais satisfatória, mesmo enquanto se trabalha com a psicoterapia, para identificar os fatores que favorecem sua autoconfiança no desempenho sexual. Os medicamentos podem ser usados somente pelo tempo necessário para que a pessoa perceba e utilize seus próprios recursos para ter uma vida sexual satisfatória. No caso do paciente que apresenta falência definitiva da função sexual, a psicoterapia auxilia no processo de aceitação e adaptação às opções disponíveis para a preservação da vida sexual (medicamento oral, prótese etc.).

A meta da terapia sexual é facilitar a solução do transtorno e preparar o casal para resolver todos os seus problemas futuros. O terapeuta ensina o paciente a testar e fortalecer suas próprias habilidades, para que, na trajetória da vida, em que sempre há as oscilações ou retrocessos temporários, ele ou ela possa enfrentar os problemas por conta própria e com confiança.

 

Terapia sexual prepara o casal para enfrentar os problemas que podem aparecer no futuro.

 

Causas psicológicas mais frequentes das disfunções sexuais

 

Fatores individuais

Dificuldade em dar e receber afeto

Preocupações com o envelhecimento

Ansiedade sobre o desempenho ou medo do fracasso

Autoestima, autoconceito e autoimagem rebaixados

 

Fatores relacionais

Impasses do casal, decepções

Desconfiança ou desencontro de expectativas sobre a continuidade do vínculo afetivo

Lutas pelo poder

 

Fatores relacionados à vida erótica

Falta de empatia ou intimidade

Falha na comunicação e/ou falta de sintonia erótica

 

Para mais informações sobre psicoterapia e o trabalho da Dra. Margareth dos Reis acesse o site: www.contecomas3.com.br e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Visite, também, o Conte com as 3, no Youtube, no Facebook e no Instagram.

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