Em parceria com minha colega sexóloga Dra. Margareth dos Reis, psicóloga, psicoterapeuta sexual e de casais, colaboradora da Unidade de Medicina Sexual da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e coordenadora da Pós Graduação Lato Sensu em Sexologia da FMABC fiz esse post na intenção de explicar de forma prática e objetiva os principais fatores causadores da curvatura peniana.

No consultório, não é raro o atendimento de pacientes com queixas sobre o tamanho e formato do pênis. É difícil encontrarmos algum homem que não apresente alguma queixa relacionada a isso. Muitos referem que gostariam que fosse maior, outros dizem que têm uma sensibilidade muito alta e alguns referem apresentar algum grau de curvatura.

Quando falamos em curvatura peniana o primeiro questionamento que deve ser realizado, pelo profissional de saúde, é sobre o quanto aquilo incomoda o paciente. Se isso for algo irrelevante para a vida sexual, talvez a simples orientação seja o melhor tratamento. Porém, se isso for algo que realmente está impactando na qualidade das ereções e na vida sexual do paciente, a investigação do quadro e a busca por opções de tratamento para esse indivíduo devem ser aventadas.

A investigação do pênis “torto” deve-se iniciar com o levantamento de possíveis hipóteses diagnósticas para o fato. Dentre as principais causas da curvatura peniana, temos:

 

Pênis Torto ou Curvo Congênito

 

Como o próprio nome diz, tal patologia ocorre desde o nascimento do homem. Ela se deve a uma desproporção entre o comprimento uretral (menor) e o comprimento dos corpos cavernosos (maior), que são as estruturas que promovem a ereção. Nesses casos, o homem refere apresentar uma curvatura ventral, ou seja, voltada para baixo, que deve ter sido notada desde o início de suas ereções (infância/ adolescência). Essa curvatura é ocasionada, pois nesse caso, a uretra funciona como um “cabresto”, que por causa de seu comprimento menor, puxa a cabeça do pênis para baixo podendo dificultar a penetração.

O tratamento para esse problema é basicamente cirúrgico e baseia-se no encurtamento dos corpos cavernosos por meio de plicaturas (pontos) na região contralateral da curvatura com objetivo de retificar o pênis.

 

Ligamento Suspensor do Pênis Flácido ou Incompetente

 

O ligamento suspensor do pênis é uma das estruturas responsáveis pela sustentação peniana no púbis. Existem homens, que ou por apresentarem o pênis muito longo ou por uma flacidez desse ligamento, apresentam dificuldade de manter o pênis apontado para cima, apesar de apresentarem uma boa rigidez peniana. Nesse caso, o paciente não tem nenhum problema no mecanismo de ereção e sim na sustentação peniana, o que pode trazer dificuldade de penetração para certos pacientes.

O tratamento, nesses casos, baseia-se principalmente na orientação do homem e do casal quanto a posições mais favoráveis para a penetração e os cuidados quanto ao risco de fratura peniana caso o pênis penetre de forma errada na vagina.

 

Doença de Peyronie ou Enduratio Penis

 

Em 1743, La Peyronie, descreveu pela primeira vez o surgimento de placas endurecidas no corpo peniano de pacientes com queixas de curvatura peniana. Em geral, essa doença atinge homens entre os 40 e 60 anos e as causas para o seu surgimento ainda não estão bem estabelecidas. A teoria mais aceita para seu surgimento é a de que durante toda a vida sexual do paciente ocorreram “microtraumas” no tecido que envolve o pênis e o processo inflamatório decorrente deles levou a formação de placas fibróticas capazes de deformar e promover uma curvatura no pênis.

A atividade dessa doença pode ser dividida em 2 fases: a aguda e a crônica. Na fase aguda há um processo inflamatório ativo que pode vir associado a dor peniana em estado flácido ou durante as ereções. Ao exame físico palpam-se nódulos/placas pouco rígidas e nota-se curvatura peniana. Já na fase crônica ocorre o processo de fibrose e formação de placas endurecidas, até mesmo calcificadas. Normalmente, é nesse período em que ocorre a estabilização da curvatura peniana.

Com o tempo, espera-se a piora da curvatura peniana em cerca de 30 – 50% dos pacientes, estabilização em 47 – 67% e melhora espontânea, em apenas, 3 a 13% dos casos.

A piora da curvatura peniana é mais esperada em pacientes que adquiriram a doença mais jovens e após a calcificação completa da placa. A dor durante a ereção acomete cerca de 35 a 45% dos pacientes durante a fase aguda. Ela melhora em cerca de 90% dos pacientes, podendo durar até 12 meses a partir do início da doença.

O tratamento dessa enfermidade ainda é bastante desafiador, visto que existem inúmeras possibilidades que variam desde o uso de medicações orais até o implante de próteses penianas. A grande variedade de tratamentos reflete a situação de que ainda não existe um ideal e de que os mesmos devem ser individualizados para cada paciente.

É de fundamental importância sabermos se a doença está em atividade ou não, pois isso influenciará na escolha do melhor tratamento clínico e do tempo ideal para realização de uma abordagem cirúrgica.

Os potenciais riscos e benefícios do procedimento devem ser discutidos com o paciente para que ele tome a melhor decisão. Dentre os principais riscos temos: diminuição do tamanho do pênis, impotência sexual, perda de sensibilidade, risco de nova curvatura, provável palpação de nós no corpo peniano e necessidade de circuncisão (retirada da pele que cobre a cabeça do pênis).

A doença de Peyronie pode atrapalhar bastante a vida sexual do homem e consequentemente do casal. Estudos relatam diminuição de qualidade de vida e surgimento de alterações psíquicas como ansiedade, depressão e baixa auto-estima. Portanto, assim como todas as disfunções sexuais, ela deve ser abordada de forma multiprofissional, com auxílio de sexólogos e psicoterapeutas na busca de modalidades de tratamentos que tragam ao homem mais confiança e capacidade de lidar com seu problema.

Para mais informações sobre psicoterapia e o trabalho da Dra. Margareth dos Reis acesse o site: www.contecomas3.com.br e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Visite, também, o Conte com as 3, no Youtube, no Facebook e no Instagram.

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