O tratamento da disfunção erétil (DE) já é bem estabelecido sendo composto basicamente pelo uso de drogas orais facilitadoras de ereção (Inibidores da Enzima Fosfodiesterase tipo 5 – 5PDEi), injeção intracavernosa e o implante de prótese peniana para os casos não respondedores a terapia farmacológica. No entanto, a busca por novas alternativas para tratamento dessa doença, que é tão prevalente na população masculina a partir da quarta década de vida, continua incessante.

Diversas modalidades de tratamento vêm sido propostas e estudadas, que variam desde a terapia com células troncos até a utilização da medicina endovascular. Dentre essas modalidades de tratamento a que tem mostrado uma maior notoriedade é a Terapia de Choque Extracorpórea com Ondas de Baixa Intensidade (TCEOBI).

A TCEOBI, é considerada uma terapia de reabilitação peniana pois é baseada na premissa de que irá restaurar o mecanismo de função erétil, por meio o uso de ondas de baixa intensidade, permitindo com que o homem volte a apresentar ereção espontânea.

Para uma melhor compreensão, farei uma breve explicação sobre as ondas de choque e seus efeitos no organismo.

Ondas de choque são ondas acústicas que geram um impulso de pressão e com ele trazem energia que se propaga por um meio. Seu grau de intensidade pode ser modulado o que permite o controle de sua concentração no local desejado. Quando a onda de choque atinge um órgão, ela interage com seus tecidos atuando como forças micromecânicas transitórias que promovem alterações biológicas.

Ondas de choque extracorpóreas vêm sido estudadas e utilizadas por diversos ramos da medicina. Quando em alta intensidade a terapia de ondas de choque é utilizada para quebrar cálculos renais e ureterais. Em média intensidade, as ondas de choque mostraram propriedades anti-inflamatórias e são utilizadas no tratamento de diversas patologias ortopédicas, como: fraturas, tendinites e bursites. Já em baixa intensidade, as ondas de choque apresentam propriedades angiogênicas (formação de vasos) e são utilizadas no manejo de feridas crônicas ou de difícil cicatrização, neuropatia periférica e revitalização de tecidos cardíacos.

Quando ondas de choque de baixa intensidade (OCBI) são aplicadas em um órgão há uma interação com seus tecidos mais profundos levando a um stress mecânico e a microtraumas, também conhecidos como lesão em cisalhamento. Essa lesão libera uma cadeia de eventos angiogênicos que induzem a neovascularização e o aumento do fluxo sanguíneo tecidual.

Considerando que a disfunção erétil se dá, principalmente, pela ausência de fluxo sanguíneo adequado nos corpos cavernosos sugeriu-se que o uso das OCBI poderia induzir a neovascularização local, aumentando o fluxo sanguíneo e consequentemente melhorando a ereção.

Alguns estudos demonstraram uma resposta eficaz dos pacientes após a aplicação da TCEOBI, principalmente aqueles pacientes em que a origem da DE se dá por alterações vasculares. Segundo os estudos, esses pacientes melhoram a resposta ao uso dos 5PDEi ou até não precisam mais usá-los para promover uma ereção satisfatória para penetração.

Apesar da segurança e a eficácia da TCEOBI estarem praticamente confirmadas, as evidências ainda são limitadas.

Até hoje, a maioria dos estudos são originados do mesmo centro e o número de pacientes tratados ainda é pequeno, o que pode ser considerado um grande viés. Além disso, a população que obteria o maior benefício com a TCEOBI ainda não foi bem determinada. Aparentemente, os pacientes com maior potencial de benefício seriam aqueles com DE de origem vasculogênica devido aos resultados preliminares na função endotelial. Finalmente, ainda há dados insuficientes sobre o mecanismo de ação da TCEOBI em nível celular e tecidual, o que exige mais estudos a respeito.

Portanto, a TCEOBI aparenta ser uma arma terapêutica promissora para a reabilitação peniana de homens com DE de origem vasculogênica. Ela é uma terapia segura e indolor com efeitos duradouros. No entanto, ainda é cedo afirmar que a TCEOBI deve ser utilizada como prática de rotina no tratamento da DE ou se deve ser utilizada apenas como método de exceção. O surgimento de mais estudo bem desenhados e randomizados são essenciais para a confirmação dessas afirmações.

Se você deseja saber mais sobre a TCEOBI e tem interesse em fazer uso desse tratamento procure um urologista e veja se essa seria uma boa alternativa para você.

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