Impotência Sexual – Disfunção Erétil (DE)

Disfunção Erétil (DE) é uma condição  que afeta homens de todas as idades, sendo definida como a incapacidade persistente em obter e manter uma ereção suficiente, que permita uma atividade sexual satisfatória, causando um grande impacto em qualidade de vida e do casal. Resumindo, a DE é a incapacidade de obter e manter a rigidez peniana suficiente para promover o ato sexual.

A disfunção erétil é mais comum do que se imagina. Atualmente, ela afeta mais de 150 milhões de homens no mundo. Registros literários, anteriores a 2.000 a.C., evidenciam relatos de disfunção erétil , porém opções de tratamento eficazes surgiram, apenas, a partir do início da década de 60.

A impotência sexual não afeta somente ao homem, muitas vezes suas parceiras também sofrem com as consequências desse problema, o que pode levar a discussões e dificuldades de relacionamento caso não haja uma estrutura de casal bem definida. Por isso, na maioria dos casos, é importante uma avaliação do casal já que o problema pode não ser apenas fisiológico (do organismo do homem) e sim um problema de relacionamento entre o casal.

Antes de detalharmos as principais causas e tratamentos da disfunção erétil  vamos explicar como se dá o processo de ereção peniana.

Como ocorre a ereção?

Em uma linguagem mais simplificada, o processo de ereção nada mais é do que o enchimento do pênis com sangue. Esse processo se dá através de mecanismos neurológicos e hormonais  que se ativam para promover a rigidez peniana.

A partir de um estímulo sexual excitante (visual, auditivo, tátil ou imaginativo) ativam-se algumas regiões cerebrais que enviam mensagens, através da medula espinhal para o pênis que irá iniciar, enfim, o processo de ereção.

Essas mensagens promovem um relaxamento da musculatura peniana e dilatação de suas artérias, permitindo a chegada de sangue com maior facilidade ao pênis. Esse sangue, por sua vez, ficará armazenado em duas estruturas cilíndricas localizadas no interior do pênis chamadas de corpos cavernosos, que ao se encherem de sangue começam a se expandir e isso acaba promovendo uma compressão das veias que envolvem o pênis e que transportariam o sangue de volta para o restante do corpo, promovendo assim um represamento sanguíneo e mantendo o pênis enrijecido.

É  importante o conhecimento, mesmo que de forma simplificada, do mecanismo de ereção para facilitar a compreensão das principais causas de disfunção erétil  e seus tratamentos.

Principais Causas de DE

Costumo dizer que vida sexual satisfatória é sinônimo de vida saudável. Isso inclui, alimentar-se de forma saudável, evitar o sedentarismo através da realização de atividades físicas, controle de doenças adquiridas como Diabetes Mellitus, Hipertensão Arterial e Dislipidemias e evitar abuso de substâncias prejudiciais como cigarro, álcool e drogas.

Muitos homens acreditam que a disfunção erétil  é uma condição inerente ao envelhecimento. Mas isso não é verdade. É evidente que é muito difícil compararmos a performance sexual de um jovem de 18 anos com a de um senhor de 65 anos, porém muitas vezes a idade avançada não reflete a qualidade de ereção do paciente. O problema está no fato de a maioria das doenças que podem prejudicar o mecanismo de ereção surgirem em idades mais avançadas, assim como o efeito nocivo de substâncias de uso crônico (cigarro e álcool), que se manifestam após décadas de seu uso.

  • Seguem os principais fatores que podem levar a Disfunção Erétil:

Diabetes Mellitus:  A Diabetes é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da disfunção erétil . Estudos demonstram que homens com diagnóstico de diabetes apresentam quatro vezes mais probabilidade de desenvolver impotência sexual. Isso se deve ao fato dos níveis elevados de glicose (açúcar) na corrente sanguínea terem efeito “tóxico” danificando os vasos sanguíneos, nervos e a musculatura envolvidos no mecanismo de ereção.

Doenças Cardiovasculares: Dentro desse grupo apresentam-se, principalmente, a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e suas repercussões e o Acidente Vascular Cerebral (AVC). Todas essas doenças têm em comum a dificuldade da circulação sanguínea por dentro dos vasos, devido principalmente a obstrução total ou parcial dos mesmos, alterando assim a função dos tecidos que por eles seriam irrigado. Como o mecanismo de ereção é, fundamentalmente, dependente da chegada do sangue ao pênis, provavelmente ele estará comprometido nesses casos.

Dislipidemias (Alterações no Colesterol): Assim como as doenças cardiovasculares, a falta de controle dos níveis de colesterol pode levar a lesões nos vasos sanguíneos, promovendo seu estreitamento e, consequentemente, dificultando a passagem do sangue pelo seu interior. Isso, entre outras consequências, leva a dificuldade do enchimento do pênis com sangue,  impossibilitando a obtenção e manutenção da ereção.

Distúrbios Hormonais: Uma causa importante que pode levar a problemas de ereção são alterações na concentração de hormônios na corrente sanguínea. A deficiência da testosterona é o principal exemplo disso. A falta da testosterona também é chamada, no homem, de Andropausa.

Assim como na menopausa feminina, o homem com o envelhecimento, passa a ter uma falência progressiva na produção desse hormônio pelo testículo. Sua falta pode levar a perda do desejo sexual, diminuindo por sua vez  a busca e a sensibilidade por estímulos excitantes, diminuindo assim a ativação das áreas cerebrais responsáveis por enviar ao pênis mensagens de que é preciso ativar a ereção.

A reposição da testosterona por muitas vezes tem indicação, visto que sua deficiência além de prejudicar a performance sexual, aumenta o risco cardiovascular e de osteoporose, além de outros eventos decorrentes da privação hormonal. Porém os pacientes devem ser bem avaliados devido a riscos que essa reposição pode levar, principalmente a pacientes com diagnóstico de câncer de próstata.

Vale lembrar, que existem outras alterações hormonais que podem levar a disfunção sexual como alterações tireoidianas (Hiper e Hipotireoidismo), hiperprolactinemia, hiperinsulinemia, dentre outros.

Depressão e Ansiedade: Atualmente, o stress diário e os evento relacionados a vida profissional e familiar têm sido relevantes no desenvolvimento de distúrbios de humor que podem atrapalhar o desempenho sexual. Dentre os principais, temos a ansiedade, a depressão e o medo de falhar. Cada um deve ser avaliado de forma individualizada, por equipe multiprofissional especializada, que seja capaz de orientar o melhor tratamento para cada caso.

Medicamentos: Alguns medicamentos podem ter como efeito colateral a disfunção erétil. Os principais grupos de medicamentos associados a esse efeito são aqueles relacionados ao tratamento de doenças cardiovasculares, distúrbios psiquiátricos (Ansiedade, Depressão e Desordens Alimentares), antialérgicos, entre outros.

É importante que você relate ao seu médico a mudança de seu desempenho sexual após o início do uso da medicação, confirmar se esta pode realmente estar relacionada ao fato e questionar se existe possibilidade de mudá-la para outro medicamento que não tenha a disfunção erétil como efeito colateral.

Câncer da Próstata e seu Tratamento: O câncer de próstata é uma doença que acomete muitos homens em todo o mundo. Seu tratamento, principalmente a cirurgia de retirada da próstata, pode levar a um comprometimento parcial ou total da função erétil, devido a danos causados a estruturas próximas a próstata, como nervos e artérias responsáveis pelo mecanismo de ereção.

Álcool e Cigarro: Estes talvez sejam os principais vilões, dentre as causas evitáveis de impotência sexual. O cigarro e o álcool possuem efeito deletério na parede dos vasos sanguíneos, dificultando a circulação e consequentemente prejudicando a ereção. O tratamento de pacientes tabagistas e etilistas implica necessariamente na parada do uso dos mesmos, com melhora importante da ereção.

Tratamentos

Grandes avanços na compreensão do mecanismo de ereção bem como do tratamento da DE surgiram nas últimas duas décadas. As estratégias de seu manejo consistem na modificação de seus fatores de risco, controle das comorbidades associadas e uso de terapia farmacológica e cirúrgica.

Dentre os tratamentos farmacológicos temos como opções: medicações de uso oral, autoinjeções no pênis, terapia intrauretral e vacuoterapia.

  • Medicações de uso oral

Faz parte da primeira linha de tratamento os Inibidores da enzima 5 Fosfodiesterase (I5PDE). Entre as drogas mais utilizadas temos o Cialis® (Tadalafila), Viagra® (Sildenafila) e Levitra® (Vardenafila). Essas medicações agem promovendo a dilatação das artérias que irrigam o pênis, melhorando o fluxo sanguíneo e consequentemente a ereção. Estas pílulas não agem sozinhas e devem ser combinadas com estimulação sexual para proporcionar uma ereção.

ATENÇÃO: Não são todos os pacientes que podem fazer uso desse tipo de medicação. Pacientes com histórico de Infarto do Miocárdio e que fazem uso de medicamentos compostos por nitratos não podem fazer uso de I5PDE, com risco até mesmo de desenvolver um novo infarto.

  • Vacuoterapia

É utilizado um dispositivo que após ser acoplado ao pênis, promove retirada do ar local, criando um ambiente de pressão negativa e facilitando a chegada do sangue ao pênis. Após a aquisição da ereção o paciente coloca ao redor da base do pênis um anel de borracha que impede o retorno do sangue ao organismo, permitindo a manutenção da ereção até a finalização da relação sexual.

  • Medicações de uso intrauretral

Através da aplicação de uma droga pela abertura da uretra há absorção da mesma pelo tecido que circunda a uretra, levando a um relaxamento do tecido erétil, enchimento do pênis com sangue e ereção.

  • Medicações auto injetáveis

Através da auto aplicação de drogas vasodilatadoras na haste peniana, promove-se um relaxamento da musculatura peniana e enchimento dos corpos cavernosos com sangue e consequente ereção. O efeito dessa medicação não necessita do estímulo sexual para promover a ereção.

Essa terapia tem como viés a baixa aderência dos pacientes, principalmente pelo fato de ser desconfortável e de difícil adaptação, além do risco de levar a fibroses penianas que podem provocar deformidades como curvaturas, afinamentos e perdas de tamanho. Estudos demonstram que muitos homens interrompem o uso deste método em dentro de um ano.

Talvez essa seja a modalidade de tratamento com melhores resultados de ereção e satisfação dos pacientes. Ela está indicada, principalmente, quando o uso do tratamento farmacológico é contraindicado ou não foi efetivo. Existem diversos modelos de próteses, mas resumidamente elas podem ser divididas em 3 grupos: Semi-rígidas, articuladas e infláveis.

Consulte seu médico para saber um pouco mais sobre cada uma das próteses e quais seriam as suas principais indicações.

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