Ejaculação Precoce (EP)

Também conhecida como Ejaculação Rápida, a Ejaculação Precoce é uma das principais disfunções ejaculatórias que acometem os homens. Apesar de comum, há ainda muito pouca informação sobre seu mecanismo e suas causas. Os pacientes, muitas vezes, estão indispostos a discutir seus sintomas, e muitos médicos não têm conhecimento sobre tratamentos efetivos. Como consequência, os pacientes são mal diagnosticados e tratados.

Um dos maiores problemas para definir a prevalência da Ejaculação Precoce é o fato de não haver um consenso sobre qual seria o tempo mínimo para classificarmos uma ejaculação como sendo rápida. Atualmente, os principais trabalhos e estudos relacionados a esse assunto consideram o tempo de corte menor do que 2 minutos entre o início da estimulação sexual e a ejaculação.

A prevalência da Ejaculação Precoce em homens entre 18 e 59 anos pode chegar até 31%, e destes, 55% estão na faixa entre 50 e 59 anos.

Por que Ocorre?

As causas para a Ejaculação Precoce ainda não são bem estabelecidas, pois ainda não existem dados científicos que consigam atribuí-la a alterações biológicas e psicológicas. Dentre elas, temos:

  • Ansiedade
  • Hipersensibilidade Peniana
  • Alterações de receptores cerebrais responsáveis pela ejaculação

No geral, pacientes com Ejaculação Precoce não apresentam nenhuma alteração no mecanismo de expulsão do líquido seminal.

A Disfunção Erétil (DE) também pode ser uma das causas de Ejaculação Precoce, pois aumenta os níveis de ansiedade diminuindo assim o tempo da relação sexual. Essa associação de patologias muitas vezes dificulta no correto diagnóstico, pois muitas vezes o paciente é tratado como portador de EP mas seu real problema é a disfunção erétil. Assim ao tratarmos a disfunção erétil e muitas vezes melhoramos a Ejaculação Precoce.

Fatores de Risco

A ejaculação precoce é mais comum nas raças negra, hispânica e islâmica, sendo ainda mais prevalente em homens com baixos níveis educacionais.

Outros fatores de risco associados são: predisposição genética, saúde debilitada, obesidade, inflamação prostática, alterações dos hormônios tireoidianos, problemas emocionais e de stress e experiências sexuais traumáticas.

Impacto na Qualidade de Vida

Homens com Ejaculação Precoce, normalmente, declaram insatisfação com o ato e sua vida sexual, dificuldades para manter-se relaxado durante o ato e diminuição da frequência do intercurso sexual. No entanto, o impacto negativo da Ejaculação Precoce vai além da disfunção sexual. Ela pode promover uma diminuição da autoconfiança, prejudicar o relacionamento conjugal, e muitas vezes, levar a stress mental, ansiedade e depressão. O desejo sexual e a busca por sexo, aparentemente, não são afetados pela Ejaculação Precoce. No entanto, a satisfação do parceiro com o sexo pode diminuir com o decorrer do tempo.

Poucos são os pacientes que procuram ajuda, apesar da Ejaculação Precoce diminuir a qualidade de vida do paciente e, muitas vezes, causar sérios problemas psicológicos. Um dos maiores estudos na área, mostrou que 78% dos homens que declaram apresentar problemas com a ejaculação não procuram ajuda profissional, diferentemente de paciente com disfunção erétil, que buscam ajuda com maior rapidez. A principal razão para isso seria a vergonha do paciente em falar sobre o assunto e o fato de acreditar que não exista tratamento para tal problema. Médicos, muitas vezes, se sentem desconfortáveis em discutir assuntos relacionados a sexualidade com seus pacientes, devido ao embaraço e falta de experiência e/ou treinamento para lidar com o assunto. Porém, todo médico deve deixar seus pacientes a vontade para falar sobre Ejaculação Precoce.

Definição

Existem diversas definições para Ejaculação Precoce. A ISSM (International Society for Sexual Medicine) utiliza a que apresenta o maior valor científico.

Ejaculação Precoce é uma disfunção sexual masculina caracterizada como:

Ejaculação que sempre, ou quase sempre ocorre antes ou próximo a 1 minuto da penetração vaginal ou início do intercurso sexual; ou, diminuição significativa do tempo de latência (início da penetração até a ejaculação) de homens que não apresentavam Ejaculação Precoce, para próximo a 3 minutos ou menos. Pode ou não estar associada a:

  • A incapacidade de retardar a ejaculação em todas ou quase todas as penetrações vaginais.
  • Consequências pessoais negativas, como a angústia, preocupação, frustração e/ou o evitamento de intimidade sexual.

Diagnóstico

O diagnóstico da Ejaculação Precoce se dá basicamente através da história médica e sexual do paciente. A história vai classificar a Ejaculação Precoce como sendo “congênita” (desde o início da vida sexual) ou adquirida (algo que se estabeleceu com o tempo), e também se a Ejaculação Precoce é situacional (em uma circunstância específica ou com algum parceiro específico) ou consistente (em qualquer situação ou qualquer parceiro).

Atenção especial deve ser dada ao tempo em que se dá a ejaculação, se há diminuição do estímulo sexual, se há impacto na atividade sexual e na qualidade de vida, além do histórico de uso de drogas.

É muito importante diferenciarmos disfunção erétil de ejaculação precoce. Muitos pacientes com disfunção erétil, desenvolvem secundariamente Ejaculação Precoce devido a ansiedade ocasionada pela dificuldade de obter e manter a ereção. Além disso, muitos pacientes não sabem que a queda da ereção após a ejaculação é algo normal e queixam-se de disfunção erétil, quando o verdadeiro problema é a Ejaculação Precoce.

Algumas ferramentas, como questionários, são utilizados na tentativa de auxiliar no diagnóstico da Ejaculação Precoce.

Tratamentos

Psicoterapia e Mudanças Comportamentais      

Dentre as estratégias comportamentais destacam-se principalmente:

  • Técnica “Iniciar-Parar”: A parceira/parceiro estimula o pênis até o paciente apresentar a sensação de que vai ejacular. Ao chegar a esse ponto, o homem deve parar o estímulo e aguardar o fim da sensação pré ejaculação e aí então reiniciar o estímulo.
  • Técnica da Compressão Glandar: É bem similar a técnica anterior, porém nesse caso, além da parada do estímulo pede-se para a parceira realizar a compressão da cabeça do pênis até a sensação iminente de ejacular passar.

Ambas as técnicas devem ser aplicadas em um ciclo de até 3 pausas para aí sim permitir o orgasmo.

Masturbação prévia ao ato sexual é uma técnica bastante utilizada por pacientes mais jovens. Após a masturbação há uma dessensibilização do pênis resultando em um aumento da latência entre o início do estímulo sexual e a ejaculação. Como vantagem, essa técnica tem como característica “ensinar” o homem a controlar sua excitação e a identificar o momento em que está prestes a ejacular. A eficácia desse método é semelhante a técnica “Iniciar-Parar”.

A Psicoterapia tem como principal objetivo lidar com a ansiedade e outros distúrbios de humor, além de poder ajudar em problemas conjugais que a Ejaculação Precoce promoveu. Estudos mostram que a psicoterapia associada a terapia sexual auxilia no aumento do tempo e da satisfação na relação sexual.

Farmacoterapia   

O tratamento farmacológico da Ejaculação Precoce tem como principal arma o uso dos Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS). Essas drogas agem em terminações nervosas cerebrais impedindo a recaptação da Serotonina que é um neurotransmissor que promove o processo de ejaculação. As principais drogas desse grupo são: Citalopram, Fluoxetina, Fluvoxamina, Paroxetina e Sertralina. Essas drogas necessitam de um tempo mínimo de 1 a 2 semanas para começar a agir na EP, e a parada de seu uso pode levar ao retorno dos sintomas iniciais. Os principais efeitos colaterais desses medicamentos são: fadiga, sonolência, náuseas e diarréia.

A droga mais nova utilizada no tratamento da EP é a Dapoxetina. Ela também é uma inibidora seletiva da recaptação de serotonina, porém é de curta ação, podendo ser administrada em formato de “demanda”. Ela deve ser administrada 1 a 2 horas antes da relação sexual com resultados animadores para muitos pacientes.

Anestésicos Tópicos 

O uso de anestésicos locais para aumentar a latência da ejaculação é a forma mais antiga de farmacoterapia utilizada no tratamento da Ejaculação Precoce. Esses medicamentos possuem formulação em gel, cremes e spray.

Sua ação é baseada, na diminuição da sensibilidade glandar e do corpo peniano, porém pode haver absorção da substância pelo tecido vaginal promovendo também sua dessensibilização e dificultando o orgasmo feminino.

Inibidores da Fosfodiesterase tipo 5 (I5PDE)     

Esses medicamentos, muito utilizados no tratamento da disfunção erétil, devem ser indicados principalmente para pacientes que apresentam além das queixas de Ejaculação Precoce, sintomas relacionados a disfunção erétil. Existe apenas um estudo científico bem formulado que evidencia a eficácia desses medicamentos na melhora da Ejaculação Precoce. Segundo esse estudo, os I5PDE agem aumentando a confiança e diminuindo a ansiedade, além de melhorar a percepção e o controle da ejaculação, aumento da satisfação sexual e diminuição do tempo para se obter uma segunda ereção.

Dentre os principais medicamentos que fazer parte desse grupo, temos: Viagra® (Sildenafila), Cialis® (Tadalafila) e Levitra® (Vardenafila).

A associação dos ISRS com os I5PDE tem se mostrado mais efetiva no tratamento da Ejaculação Precoce do que o tratamento exclusivo com ISRS. ATENÇÃO: Não são todos os pacientes que podem fazer uso desse tipo de medicação. Pacientes com histórico de Infarto do Miocárdio e que fazem uso de medicamentos compostos por nitratos não podem fazer uso de I5PDE, com risco até mesmo de desenvolver um novo infarto.

Sempre procure ajuda especializada que ofereça tratamento individualizado para o seu problema.