Frequentemente, no consultório, recebo homens com dúvidas sobre o achado incidental, em um ultrassom testicular, de varicocele. Muitas vezes, esses comparecem assustados com diversas dúvidas sobre tal achado. Por isso, dedico esse post a explicar um pouco mais sobre a varicocele e as repercussões que essa alteração pode levar.

Varicocele é a dilatação e tortuosidade do plexo venoso pampiniforme, que é uma rede de veias responsável pela drenagem venosa testicular. Essa dilatação se dá devido a uma deficiência nesse processo de drenagem sanguínea, levando ao seu represamento, aumento da temperatura e de radicais livres no parênquima testicular.

Seu achado não é incomum, visto que a varicocele é identificada em cerca de 11,7% dos homens adultos e tende a aparecer após a puberdade e desenvolvimento dos órgão sexuais masculinos.

Dentre as principais consequências da varicocele podemos encontrar: diminuição do volume testicular, dor e sub ou infertilidade (decorrente da falência testicular).

Para o diagnóstico temos como principal arma o exame físico minucioso dos testículos e do cordão espermático. Esse exame pode ser complementado com o advento da ultrassonografia escrotal com doppler vascular.

Uma vez diagnosticada, a varicocele é classificada segundo o seu grau de dilatação vascular. Essa se dá da seguinte forma:

 

  • Subclínico – Varizes não visíveis e não palpáveis ao exame físico, nem com a realização de manobra de aumento da pressão abdominal (Valsalva), sendo apenas visualizado por métodos específicos de imagem como Ultrassonografia com Doppler vascular
  • Grau I – Palpável somente a manobra de Valsalva, porém não visível mesmo com a manobra
  • Grau II – Visível e palpável com a manobra de Valsalva
  • Grau III – Visível e palpável sem necessidade de manobra de Valsalva (“Saco de Vermes”)

 

Mas doutor, uma vez diagnosticada a varicocele deve ser sempre tratada?

A resposta é não! O tratamento da varicocele é necessariamente cirúrgico e se dá por meio da ligadura das veias de maior calibre. Ele é indicado principalmente para pacientes com graus mais avançados (II e III) ou quadro de infertilidade associada a alteração do padrão seminal.

É interessante, que seja utilizada, durante o procedimento, a microscopia para auxiliar na identificação dos vasos e também facilitar as ligaduras, além do mesmo ser realizado por profissional com experiência na técnica utilizada.

Quando falamos em varicocele o principal questionamento dos pacientes é voltado ao potencial risco de infertilidade que essa alteração anatômica pode proporcionar.

A varicocele é sim um fator de risco para infertilidade e é a principal causa reversível de infertilidade que acomete os homens. Cerca de 25% dos homens com varicocele apresentam alterações no padrão seminal que podem dificultar a gravidez. A exata associação entre a redução da fertilidade masculina e a presença de varicocele ainda não é bem definida, porém recentes estudos mostraram que a sua correção melhora a qualidade seminal. Por outro lado, existem homens que apresentam varicocele e padrão seminal normal o que não acarretará em dificuldades para engravidar sua parceira.

Enfim, independente da indicação ou não de cirurgia, o paciente com varicocele deve ser acompanhado de perto pelo urologista afim de evitar complicações futuras dessa doença como atrofia testicular e infertilidade.

Se você tem varicocele e/ou está com dificuldades para engravidar sua parceira procure um urologista para orientá-lo sobre o seu quadro.

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