Não é incomum em uma conversa com qualquer homem descobrir que ele nunca foi ao urologista. Muitos desses, acreditam que esse acompanhamento só deve ser realizado após os 40 anos de idade para a realização do famoso exame de toque para investigação do câncer de próstata.

Diferentemente das mulheres, que buscam o acompanhamento com o ginecologista logo após a primeira menstruação, os homens vão buscar orientação sobre a saúde masculina e cuidados com sua vida sexual apenas em uma idade mais avançada ou quando são acometidos por algum problema sexual.

Nesse texto farei uma abordagem sobre o que é o câncer de próstata, sua incidência, as principais modalidades de tratamento e o seu impacto na qualidade da ereção.

A próstata é um órgão exclusivamente masculino e fica localizada acima do reto envolvendo parte da uretra próxima da bexiga. Sua função é basicamente ajudar na produção do líquido seminal.

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos e considerando ambos os sexos é o quarto tipo mais comum de câncer. Sua taxa de incidência é maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.

Na Europa, a neoplasia prostática é a mais comum dos canceres em homens com mais de 70 anos, enquanto que nos EUA, em 2009, foram registrados 192.000 novos casos e 27.000 mortes decorrentes dessa doença.

O rastreamento do câncer de próstata deve ser recomendado, geralmente, a partir dos 40 anos em homens de raça negra e com histórico de câncer de próstata familiar e a partir dos 45 anos em homens de raça não negra e sem histórico dessa doença na família. O rastreamento, no primeiro momento deve ser realizado com a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico) no sangue e por meio do exame digital do reto, o famoso toque retal.

Ah doutor! Mas a dosagem apenas do PSA no sangue já não é suficiente? Infelizmente, não. Nem o toque retal descarta a dosagem do PSA e nem o contrário é verdadeiro, ambos são complementares. Sabe-se que cerca de 30% dos homens com PSA normal apresentam exame de toque retal alterado e por isso necessitam de complementação da investigação, geralmente com a biópsia prostática.

Outra informação importante é que diferentemente da HPB (Hiperplasia Prostática Benigna) onde o homem começa a apresentar dificuldade para urinar, o câncer de próstata na grande maioria das vezes, é assintomático, e quando os sintomas aparecem, geralmente, está associado a uma doença em estágio mais avançado.

Quando o diagnóstico é confirmado, cabe ao paciente discutir com seu urologista a melhor modalidade de tratamento. Ele deve ser individualizado e pode ser bastante variável podendo se resumir a uma simples observação do quadro até a realização da cirurgia de retirada completa da próstata (Prostatectomia Radical), podendo o paciente optar também por um tratamento radioterápico ou hormonal.

O sucesso do tratamento e consequentemente a cura do câncer de próstata são variáveis, podendo chegar a 95% dos casos. Esses resultados dependem muito do grau de agressividade do tumor, se o diagnóstico foi precoce ou tardio e de acordo com a modalidade de tratamento empregada.

No entanto, para garantir maiores taxas de cura da doença e para proporcionar uma maior variedade de tratamentos a melhor estratégia é a prevenção. Daí a importância de campanhas de conscientização da população, como o Novembro Azul, que foi uma iniciativa empregada pelas principais sociedades de urologia do mundo na tentativa de estimular a procura do urologista pelos homens.

Dentre os principais efeitos colaterais do tratamento do câncer de próstata temos: a Incontinência Urinária, que é a perda do controle da micção podendo promover perdas urinárias; e a Impotência Sexual que é a dificuldade de obtenção de uma ereção satisfatória para promover a penetração.

Se você tem, teve ou deseja fazer a prevenção do câncer de próstata procure um urologista para fazer o seu acompanhamento.

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